Nº67 MARÇO 2016

Economia circular e Medicina Dentária

  • Ioannis Tzoutzas Médico dentista. Presidente do Grupo de Trabalho do Conselho Europeu de Dentistas (CED) para o Controlo de Infeções e Gestão de Resíduos.
  • 07 de Mar, 2016

Ioannis Tzoutzas Médico dentista. Presidente do Grupo de Trabalho do Conselho Europeu de Dentistas (CED) para o Controlo de Infeções e Gestão de Resíduos.

O século XXI tem-se caracterizado por, entre outros, o consumo galopante/desmedido de recursos naturais, a poluição e a destruição do ambiente natural e a produção irresponsável de todo o tipo de resíduos.

Milhões de quilómetros quadrados foram convertidos em depósitos de resíduos que, na maioria dos casos, ficaram totalmente expostos ou cobertos de forma inadequada, poluindo, por conseguinte, o ar e as águas subterrâneas e destruindo o ambiente. No final do século XX, surgiram movimentos que exigiam uma gestão de resíduos mais racional, prudente e ambientalmente responsável. Ao mesmo tempo, no seio da comunidade científica, começaram a desenvolver-se as primeiras recomendações com vista à plena utilização de determinados tipos de resíduos, com destaque especial para os metais, o papel e o vidro.

No limiar do século vinte e um, a investigação cien­­tífica, a observação com base em elementos concretos e o progresso tecnológico conduziram à apresentação de propostas relativas à utilização de mais resíduos que permaneciam inutilizados nos ater­ros sa­­nitários ou a céu aberto, muitos dos quais, infelizmente, ainda se mantinham em pleno funcionamento.

Como resultado, deu-se início à utilização de diferentes tipos de resíduos: plásticos, pneus, materiais de embalagem, subprodutos animais e agrícolas e muitos outros artigos que estavam a atafulhar os contentores de lixo e a causar “enfartes” ambientais, ecológicos e financeiros nas nossas sociedades.

Consequentemente, começou a surgir o Movimento da Eco­nomia Circular, segundo o qual os resíduos podem ser trans­formados em produtos rentáveis, desde que sejam devidamente recolhidos, processados e utilizados.

A Medicina Dentária pode contribuir ativamente para muitos as­petos desta ação.
Um elevado número de material dentário – embora pequeno em termos de volume – é acondicionado e entregue em embalagens desproporcionalmente grandes que, muitas vezes, são significativamente maiores do que o volume do material útil que se en­contra no in­terior. Estes produtos são acompanhados por longos folhetos com instruções, em papel, colheres-medida de plástico, caixas de cartão, instrumentos e dispositivos de transporte, os quais, após a utilização dos materiais, se acumulam no contentor do lixo, produzindo um elevado volume de artigos descartados, quase todos os dias.

Por conseguinte, a Medicina Dentária pode juntar-se à economia circular e tornar-se um participante ativo, mobilizando re­cursos ou equilibrando receitas/despesas no processo de eliminação dos resíduos dentários contaminados. Papel, vidro, me­tais, recipientes de plástico, embalagens, seringas de resinas compostas, seringas de irrigação, dosímetros, cápsulas, garrafas de soro e embalagens de implantes são apenas alguns dos artigos que são eliminados diariamente pelos médicos dentistas. Todos es­tes resíduos podem continuar a utilizar-se em conformidade, trazendo benefícios para o ambiente e para a Medicina Dentária.

No dia 2 de dezembro de 2015, a Comissão Europeia adotou o chamado “Pacote da economia circular”, que inclui várias propostas legislativas e um plano de ação para estimular a transição da Europa para uma economia circular, com medidas que abrangem a totalidade do ciclo de produtos, desde a produção e o consumo até à gestão de resíduos e ao mercado de matérias--primas secundárias.

O Conselho Europeu de Dentistas (CED) planeia contribuir para este processo legislativo através do seu Grupo de Trabalho para o Controlo de Infeções e Gestão de Resíduos. Tenciona monitorizar o impacto destas propostas, nomeadamente as alterações à Diretiva relativa aos resíduos, e dar orientações individuais aos mé­dicos dentistas sobre uma melhor gestão dos resíduos.

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