Nº77 MARÇO 2017

"Temos de melhorar a nossa capacidade reconstrutiva integral, de forma a conseguir restaurações o mais naturais possível"

  • Alberto Sicilia, presidente da European Association for Osseointegration (EAO)
  • 06 de Mar, 2017

Alberto Sicilia, presidente da European Association for Osseointegration (EAO)

Com que objetivos inicia a sua etapa como presidente da EAO?
Vamos insistir em educar numa perspetiva de excelência. Mas trata-se de educar de forma independente, centrando-nos apenas em selecionar o melhor da Medicina Dentária baseada na evidência e na experiência clínica mais objetiva, de modo a contribuir para a formação dos nossos membros e assistentes aos congressos. Faremos um esforço no sentido de favorecer a assistência às nossas reuniões, tornando-as mais competitivas, mais atrativas – melhorando a interatividade – e mais acessíveis, especialmente para os jovens profissionais. E não deixaremos de apostar na investigação clínica, área onde esperamos lançar um projeto de estudos prospetivos, transparentes e auditados para melhorar a fiabilidade na publicação e na co­mu­nicação de dados clínicos.

Que medidas tem em marcha a EAO para atrair ainda mais os profissionais espa­nhóis e da Península Ibérica em geral?
Muitas. A começar pela realização do congresso anual em Madrid. Uma dessas medidas consiste em associar-se e colaborar com as sociedades científicas mais importantes, no caso de Espanha isso já acontece com a SEPES e a SEPA; outra medida passa por reduzir o custo da inscrição, para o tornar mais acessível aos jovens. Outra medida prende-se com o esboço de um programa de vanguarda com o maior número de oradores espanhóis da história da EAO. Trata-se, sem dúvida, de um claro esforço e uma importante aposta na Medicina Dentária ibérica.
Num contexto puramente clínico, que questões estão (ou poderão vir) a marcar, o caminho da implantologia dentária e, portanto, da própria EAO?
A curto prazo, temos de melhorar a nossa capacidade reconstrutiva integral, de modo a conseguir restaurações o mais naturais possível. Neste campo a nova medicina regenerativa e as impressoras 3D biológicas terão muito a dizer no futuro. A longo prazo, é preciso recuperar a longevidade das restaurações com implantes, insistindo em que, como se expõe nos estudos clássicos, uma alta per­centagem de pacientes desfrute dos seus tratamentos durante décadas; neste ponto a periimplantite é um dos nossos grandes inimigos.

Em 2016 a EAO introduziu como novidade o seu Postgraduate Diploma in Im­plant Dentistry (PDII) na sua oferta formativa. Como pensa desenvolver a vertente da formação durante o seu mandato?
Efetivamente, já lançámos a primeira edição do PDII, com grande sucesso. Trata-se de um programa em que a EAO faz todo o esforço para que a qualidade se sobreponha claramente ao planeamento económico. É uma parte da nossa aposta na formação. Realiza-se ao longo de três anos, com seis estadias em universidades europeias de primeiro nível: Malmö, Groningen, Düsseldorf, Zurique, Madrid e Lisboa, e se admite apenas 20 estudantes por cada ano letivo. Este ano e em 2018 lançaremos mais dois grupos.
A chave do seu sucesso reside no facto de ser uma aposta formativa que cobre as necessidades desse profissional jovem que, sem uma formação como especialista de três anos numa pós-graduação de implantologia ou periodontologia, sente alguma inquietação no campo da implantologia, colocou os seus primeiros im­plantes e quer completar a sua formação numa entidade científica independente. Essa é a chave da EAO: educar para a excelência e fazê-lo de maneira independente.

Embora já nos tenha avançado alguns as­petos do congresso da EAO que se celebrará em Madrid junto com o da SEPES, quais são as expectativas quanto ao nú­mero de participantes e às temáticas a abordar?
Espero que a sinergia de um congresso de geminação EAO-SEPES, assim como a valiosa colaboração da SEPA no Simpósio Europeu Intracongresso EAO-SEPA, nos permita juntar em Madrid mais de 5.000 participantes, mais de 130 companhias patrocinadoras e 900 co­municações científicas. No total, serão mais de 7.000 pessoas a desfrutar de Espanha e de Ma­drid numa festa que irá realçar a Medicina Dentária espanhola.

Como justifica esta parceria com a SEPES? Que benefícios trará esta colaboração aos profissionais assistentes?
O congresso da SEPES é um dos grandes eventos do setor em Espanha e realizar uma reunião da EAO em Madrid nas mesmas datas que a SEPES teria sido contraproducente. Pelo contrário, associar ambos os eventos criou uma sinergia científica e organizativa, representando claras vantagens tanto para os congressistas como para os nossos patrocinadores.
O congresso anual da EAO é provavelmente a reunião de referência mundial no campo da implantologia, com um alto conteúdo científico e uma marcada carga nos aspetos cirúrgicos. Mas poderíamos dizer que, tradicionalmente, ficamos mais aquém nos aspetos re­lacionados com a restauração e a estética, e é neste contexto que a SEPES contribui com o seu alto con­teúdo clínico.
Devo sublinhar, a propósito, que é uma honra e um prazer ter a oportunidade de trabalhar de perto com a equipa da SEPES, desde o seu presidente, Nacho Rodríguez, ao vice-presidente do congresso, Jaume Llena, passando por toda a equipa da sede da sociedade científica.
Formámos um grupo muito entusiasmado com o projeto, que assume cada fase da organização de uma forma criativa e positiva.

Neste encontro também está envolvida a SEPA. Que objetivo tem esta colaboração em concreto?
A SEPA uniu-se ao congresso EAO-SEPES contribuindo de forma generosa com o seu simpósio de outono, que este ano se intitula “EAO-SEPA European Simposium”, no qual divulgará o seu co­nhecimento do refinamento cirúrgico do ma­nuseio delicado dos tecidos, tão importante para a estética, e do tratamento das situações de patologia periimplantária. Será, portanto, um simpósio muito interessante.

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