Nº77 MARÇO 2017

"Um dos objetivos deste congresso é o intercâmbio com a comunidade educativa através da partilha de conhecimentos em saúde oral"

  • Susana Falardo Ramos, presidente da comissão organizadora do I Congresso Ibérico de Saúde Oral Preventiva e Comunitária
  • 06 de Mar, 2017

Susana Falardo Ramos, presidente da comissão organizadora do I Congresso Ibérico de Saúde Oral Preventiva e Comunitária

Quais são os principais objetivos do Congresso Ibérico de Saúde Oral Preventiva e Comunitária?
Para além da partilha óbvia de conhecimentos entre os demais intervenientes, o congresso tem como principais objetivos debater as diferentes matérias na perspetiva preventiva co­munitária, e ainda a difusão de temáticas clínicas específicas estabelecendo um intercâmbio entre as diferentes sociedades científicas representadas. É ainda um objetivo neste congresso o intercâmbio com a comunidade educativa através da partilha de conhecimentos em saúde oral.

Esta primeira edição do congresso obedece ao tema global “Educação e prevenção como componentes básicos da saúde e da comunidade”. Como justifica a opção por esta temática?
Educar é prevenir! A educação e o conhecimento são, sem sombra de dúvida, ferramentas essenciais na prevenção da saúde em geral e da saúde oral em particular, tanto ao nível da comunidade científica e clínica como no contexto da comunidade educativa.

Tudo indica que o programa científico assumirá um vincado carácter multidisciplinar. Que assuntos vão dominar (em concreto) as sessões deste encontro?
Sim, terá um carácter multidisciplinar. Este congresso dará ênfase a temáticas como: estética, patologia oral, novas epidemias, odontopediatria e medicina do sono na perspetiva médico-dentária.

O congresso contará com a presença de representantes da vizinha Espanha e da América Latina. Que significado tem esta vertente internacional do evento?
O congresso terá uma forte presença internacional. Conseguir trazer ao nosso país, personalidades do meio académico internacional, honra-nos e enriquece o programa científico. A seis meses do evento, o programa científico dos dois dias de congresso, incluindo os dois seminários, já se encontrava completo, confirmado e encerrado. Este feito deixa-nos muito agradecidos. Aconselho a todos a consulta do programa.

Que pormenores pode adiantar relativamente à parte formativa e social do programa do congresso?
Tivemos apoio total das entidades: Câmara Municipal do Montijo, União de Juntas de Freguesia Montijo-Afonsoeiro e Escola Profissional do Montijo, pelo que iremos presentear os oradores com um vasto programa formativo e social.
Por outro lado, jamais poderia deixar de destacar e manifestar a mais profunda gratidão ao Professor Doutor Acácio Couto Jorge, do­cente da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, na área da Medicina Dentária Preventiva e Saúde Oral Comunitária, pelo seu apoio incondicional quer à co­missão cientifica, quer à organização e realização deste evento.

Que outros pormenores merecem particular destaque ao abrigo desta reunião?
A componente solidária será o grande destaque deste evento, uma vez que foi deliberado por unanimidade pelos constituintes das comissões organizadora e científica que, após a libertação de encargos, os valores da receita reverterão a favor de uma instituição de solidariedade na­cional e uma instituição local: a Mundo a Sorrir e a Cercima-Montijo, respetivamente.

Quais são as expectativas da organização quanto ao número de participantes?
Acreditamos que conseguiremos atrair ao au­ditório da Escola Profissional do Montijo cerca de 150 participantes, durante o congresso.
Na sua opinião, quais são (ou deveriam ser) as prioridades nacionais no plano da saúde escolar e universitária?
Não diria prioridades, pois muito já se tem feito num país em que são escassos os recursos económicos para a realização de programas preventivos e educativos. Acredito sim, que se de­veria ter uma abordagem diferente, não só ga­­rantir mais e melhores condições de trabalho aos profissionais envolvidos, como também tornar acessível os cuidados básicos de saúde oral a cada vez mais faixas da população.

No que respeita à saúde oral, considera que o panorama a nível es­colar tem vindo a evoluir nos últimos anos – por exemplo, através da atribuição do cheque-dentista – ou acha que continua a ser necessário promover soluções nes­te domínio?
A análise dos dados estatísticos do Programa Nacional de Saúde Oral falam por si. As metas da saúde oral que a Organização Mundial da Saúde estabeleceu para Portugal, até 2020, estão cumpridas. Em muito contribuiu, efetivamente, o programa de atribuição do cheque- -dentista que permitiu não só aos mais jovens como também às grávidas, aos idosos e aos grupos de risco o acesso aos cuidados de saúde oral.
No entanto, acredito que mais e melhor se poderá ainda fazer e neste contexto destacaria a im­portância de implementar programas edu­cativos para que as famílias, os professores e os educadores possam desenvolver competências e aumentar o nível de educação para a saúde oral.
 

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