Nº78 ABRIL 2017

"Todo o trabalho que estamos a desenvolver vai no sentido de tornar este evento num marco da ortodontia no panorama nacional"

  • Roberto Costa Fernandes e Liliana Amado, presidentes da comissão organizadora do 24º Congresso Anual da Sociedade Portuguesa de Ortodontia (SPO)
  • 04 de Abr, 2017

Roberto Costa Fernandes e Liliana Amado, presidentes da comissão organizadora do 24º Congresso Anual da Sociedade Portuguesa de Ortodontia (SPO)

O congresso da SPO regressa ao Porto no próximo mês de setembro. Que lema foi adotado para a edição de 2017 e como justifica essa escolha?
Liliana Amado. O tema escolhido para o congresso deste ano foi “Estética e novas tecnologias em ortodontia”. A razão para esta escolha prende-se com o facto de a estética ser indissociável de qualquer tratamento ortodôntico e um dos principais objetivos de quem procura a especialidade de ortodontia. Para além disso, é mandatório que qualquer profissional de saúde se mantenha atualizado de acordo com o state of the art da especialidade que pratica, pe­lo que a escolha da temática das novas tecnologias assume-se igualmente fulcral, a nosso ver, na escolha de um tema para um congresso.

Quais são os temas que vão dominar o programa científico?
Roberto Costa Fernandes. A comissão organizadora está a preparar um programa amplo, com nomes de referência nas diversas áreas, com o objetivo de apresentar diferentes técnicas e sistemas de tratamento para mostrar o que de melhor se faz na ortodontia atual.
Contamos com oradores de várias nacionalidades que abordarão temas como o emprego de micro-implantes em ortodontia, a ortodontia intercetiva, diferentes sistemas de tratamentos com brackets autoligáveis, a ortodontia lingual e digital, aceleradores do movimento dentário ortodôntico, a ortodontia estética e multidisciplinar, a disfunção temporomandibular e o emprego de novas tecnologias como o T-scan na finalização ortodôntica e o sistema Invisalign, entre outros.

Em que medida se refletirá no “cartaz” do congresso o fator multidisciplinar que tem vindo a ganhar peso no exercício da profissão de médico dentista?
Liliana Amado. Apesar de caminharmos, cada vez mais, no sentido da especialização, a multidisciplinariedade assume-se de vital importância, principalmente numa altura em que cada vez mais adultos procuram tratamento ortodôntico, obrigando o profissional a ter uma visão claramente multidisciplinar do paciente.
Assim, a especificidade de temáticas aliada à grande variabilidade das mesmas confere a este congresso um carácter multidisciplinar com o intuito de providenciar aos participantes uma atualização de conhecimentos através da participação de conferencistas que irão divulgar os mais recentes avanços em todos estes domínios.

Quem são os oradores nacionais e estrangeiros que vão orientar as sessões científicas no Centro Cultura e Congressos?
Roberto Costa Fernandes. Contamos com a participação de oradores das mais diversas áreas e nacionalidades, nomeadamente Ana Paula Amorim, Antonino Sechi, César Ventureira Pedrosa, David Manzanera Pastor, Glauber Carinhena, Ignacio Faus Matoses, Javier Prieto Serrano, Júlio Fonseca, Manuel Román, Patricia Vergara Villa­rreal, Tomás Castellanos, Sandra Hayasaki e Yong-min Jo, entre outros.

Vão ser introduzidas novidades no programa global do congresso?
Roberto Costa Fernandes. O congresso propriamente dito, com os diversos conferencistas, irá realizar-se nos dias 29 e 30 de setembro.
Na edição deste ano, em vez dos diversos workshops das edições anteriores, optámos por realizar, no dia 28 de setembro, um curso único pré-congresso sobre micro-implantes, que será ministrado pela doutora Patricia Vergara Villarreal.
Além disso, de modo a agilizar os trabalhos e a favorecer a convivência entre colegas e os diferentes parceiros comerciais, os almoços de trabalho, serão oferecidos a todos os inscritos e irão decorrer na galeria comercial do local oficial do congresso.
Está previsto um eventual reforço da in­ternacionalização do congresso?
Liliana Amado. Estamos empenhados em divulgar o congresso a colegas de outras nacionalidades. Para isso, contamos com a colaboração de todos os elementos da comissão organizadora e dos próprios parceiros comerciais para alargarmos a divulgação do evento além--fronteiras.
Estamos a desenvolver contactos com diversas instituições de ensino estrangeiras, quer para fomentar a participação de estudantes com trabalhos científicos, quer alargando as condições de inscrição a alunos de instituições universitárias estrangeiras.

Quais são as expectativas da organização quanto ao número de participantes?
Liliana Amado. O objetivo primordial será que o congresso anual da SPO defina e consolide o seu espaço no âmbito dos eventos mais importantes da ortodontia nacional, o que não se assume como tarefa fácil, dada a ampla oferta formativa existente nomeadamente em termos de congressos realizados.
O nosso desejo é, naturalmente, superar o número de participantes das edições anteriores, mas, acima de tudo, esperamos oferecer um congresso de elevada qualidade, em que todos os inscritos vejam como bem empregue o tempo e dinheiro investidos e que tenham o desejo de participar em edições futuras deste congresso.

Qual é o ponto da situação relativamente à adesão dos representantes da indústria? Esperam-se mais expositores no Porto?
Roberto Costa Fernandes. O local selecionado para o congresso deste ano foi o Centro Cultura e Congressos da Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos, quer pelas condições físicas e técnicas para a realização do evento quer pela localização central no coração da cidade Invicta.
A decisão de realizar o congresso na cidade do Porto vai no sentido de centralizar e facilitar a adesão das diversas empresas comerciais da área.
A galeria comercial estrategicamente localizada junto ao auditório principal reúne as condições ideais para os expositores presentes, facilitando o contacto com os congressistas sem prejuízo para as sessões científicas que decorrem durante o congresso.
A colaboração dos patrocinadores é imprescindível para o sucesso deste tipo de eventos. Nesse sentido contamos com o apoio de diversas empresas: Kubident, Pierre Fabre, Distrifarma, Henry Schein, Ormco, Dentsply Sirona, Paula Souto, Osteoclass, Orthosmile, Grupo Visabeira, AGEAS, Align Technology – Invisalign, Biotech Dental e Laboratórios Vitória, entre outros, sem as quais a realização deste evento não seria possível, pelo que agradecemos desde já o apoio prestado. No entanto, com a crescente divulgação do congresso, contamos que o número de parceiros comerciais possa vir a aumentar.

Que papel assume o congresso da SPO no âmbito formativo dos estudantes/profissionais do setor da Medicina Dentária?
Liliana Amado. Pensamos que este congresso será uma mais-valia no que se refere à aquisição e consolidação de conhecimentos nos temas abrangidos.
O principal objetivo é providenciar aos participantes um enriquecimento dos seus conhecimentos através da participação de conferencistas que irão partilhar todo o seu conhecimento e experiência nos mais vastos domínios. Por outro lado, o congresso é o local ideal para a troca de conhecimentos entre os colegas mais experientes e os mais jovens.
A título pessoal, como encara o desafio de organizar o XXIV congresso anual da sociedade científica?
Roberto Costa Fernandes. Podemos dizer em uníssono que é, de facto, um grande desafio que obriga a um sacrifício pessoal, familiar e profissional, não só pela responsabilidade de organizar um evento desta dimensão, mas também pelo traba­lho inerente à organização do mesmo.
No entanto, tem sido uma experiência muito positiva já que trabalhamos muito bem como equipa e complementamo-nos bastante. É, sem dúvida, algo que vamos guardar para o futuro, pois também se estabelecem laços de amizade.
Todo o trabalho que estamos a desenvolver vai no sentido de tornar este encontro num marco da ortodontia no panorama nacional. Apesar de termos já experiência na organização deste tipo de eventos, queremos sempre fazer mais e melhor e, sobretudo, não defraudar as expectativas do doutor Jorge João, presidente da SPO, a quem aproveitamos para agradecer a confiança em nós de­positada quando nos dirigiu o convite para or­ganizar este congresso.

À margem do congresso, como comenta o atual panorama da especialidade de ortodontia em Portugal?
Liliana Amado. Em primeiro lugar, é irreal pensarmos que apenas os especialistas vão praticar ortodontia. Todos sabemos que isso não acontece na ortodontia nem em qualquer outra especialidade da Medicina Dentária. Se a preocupação for regulamentar a prática da ortodontia, penso que deveria haver mais oferta formativa de qualidade e um papel mais proativo das universidades e sociedades científicas desta área nesse sentido, aumentando o acesso a uma formação adequada que permita exercer uma ortodontia de qualidade.


O foco da questão não está sequer em ser ou não especialista já que a desproporção entre o número de especialistas no nosso país e o de médicos dentistas que praticam ortodontia é abismal; a questão que nos devia preocupar é a quantidade de formações existentes, insuficientes no que respeita à quantidade/qualidade de ensino e que estão a projetar para o mercado um sem número de indivíduos incapazes de oferecer um tratamento ortodôntico adequado.

Numa perspetiva mais generalizada da profissão, como antevê a evolução da Medicina Dentária nacional a médio/longo prazo?
Roberto Costa Fernandes. Falar sobre o estado atual e o futuro da Medicina Dentária em Portugal é um exercício bastante difícil!
No entanto, o que posso dizer é aquilo que infelizmente todos já sabemos: estamos perante uma enorme desproporção entre o número de licenciados em Medicina Dentária e as necesidades ou a possibilidade de acesso da população aos cuidados médico-dentários.
Naturalmente, pela lei da oferta e da procura, tal facto leva a uma desvalorização da profissão (e do médico dentista como profissional de saúde) e a situações de grande precariedade laboral. Por outro lado, a crise económica que vivemos criou nichos de mercado low-cost um pouco em todas as áreas, estando a Medicina Dentária incluída, o que veio suscitar a oferta de tratamentos dentários também eles precários.

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