Nº78 ABRIL 2017

"Vamos pôr à discussão temas dentro da área do higienista oral como profissional virado para o mundo"

  • Fátima Duarte e Ana Paula Carvalho, presidente da Associação Portuguesa de Higienistas Orais (APHO) e presidente da comissão organizadora do XVII Congresso Anual da APHO, respetivamente
  • 04 de Abr, 2017

Fátima Duarte e Ana Paula Carvalho, presidente da Associação Portuguesa de Higienistas Orais (APHO) e presidente da comissão organizadora do XVII Congresso Anual da APHO, respetivamente

Que balanço faz das primeiras edições (autónomas) do congresso da APHO e como justifica a reiterada opção por realizar o evento em Lisboa?
Ana Paula Carvalho. O balanço é bastante positivo. Desde o primeiro congresso independente da APHO, que decorreu em abril de 2015, a adesão dos higienistas orais tem vindo a aumentar consideravelmente. Em congressos anteriores, por norma, contávamos com a participação de cerca de cento e vinte congressistas que era a lotação da sala; desde o décimo quinto congresso nacional – o primeiro que a APHO organizou de forma independente – começámos a ter acima de duzentos inscritos.
A cidade de Lisboa e arredores continuam a ser o grande centro de trabalho dos higienistas orais e, inevitavelmente por este motivo, justifica-se manter a realização deste congresso na capital. A descentralização de outros eventos da APHO dá-se anualmente com a reunião que é feita no congresso da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD), em outubro, sob o lema “Higiene oral em debate”, que se divide entre Porto, Coimbra e Lisboa.

Apesar de ter hoje a sua própria cimeira anual, a APHO continua a marcar uma presença ativa no congresso da SPEMD. Que motivos explicam a manutenção desta parceria?
Fátima Duarte. Sim, é verdade, mantemos a nossa presença no congresso da SPEMD. Trata--se de uma instituição a quem devemos sempre respeito, não só pela sobriedade com que sempre nos tem mantido desde a formação da APHO até hoje, mas sobretudo pela grande ajuda e aposta nos higienistas orais como parceiros. Estamos sempre agradecidos por haver esta continuidade de relações entre as duas instituições, que tem sido contínua e sempre com a intenção de a perpetuar. Ainda a este propósito, junta-se a importante questão de haver um espaço onde as várias profissões estão em conjunto e onde a partilha e conjugação de saberes se juntam, e esse espaço faz--se no congresso da SPEMD.

Quais são as linhas de orientação do congresso de 2017? O fator “multidisciplinar” foi contemplado pela comissão organizadora?
Ana Paula Carvalho. O nosso interesse constante neste evento é trazer as novidades aos participantes em temas que façam parte do quotidiano profissional do higienista oral. É também importante fazer relembrar temas das áreas base da profissão, e ainda não me­nos importante é a partilha de experiências entre colegas. A acrescentar, é também dar-nos conta de podermos ter a indústria farmacêutica a aderir cada vez mais ao evento (e este ano contamos já com mais empresas comerciais) e a apoiar-nos continuamente com os seus produtos e novidades, fortalecendo as relações de trabalho.

Que temáticas vão estar em destaque ao abrigo do programa científico?
Ana Paula Carvalho. O programa do congresso foi pensado, à semelhança dos outros anos, de acordo com a sensibilidade dos associados e atendendo a temáticas com novidades atualizadas. Neste sentido, vamos pôr à discussão temas dentro da área do higienista oral como profissional virado para o mundo, do higienista oral como profissional clínico, do marketing em saúde, da imagiologia, da im­plantologia, da cardiologia e da odontopediatria, entre outras.
Neste momento, já temos todos os conferencistas confirmados.
Estão previstas novidades no figurino global (formativo, social, lúdico, etcétera) do programa?
Fátima Duarte. O congresso vai decorrer nos moldes já instituídos em anos anteriores, quer na parte formativa quer no contexto lúdico, mas este ano acrescenta-se mais um evento social que será a apresentação e entrega dos Prémios Mexia de Almeida, na parceria que a APHO tem com a organização não governamental Mundo a Sorrir.

Quais são as previsões da organização desta edição do congresso quanto ao nú­mero de participantes?
Fátima Duarte. Tal como nos dois últimos congressos, prevemos que se passe ligeiramente acima dos duzentos participantes, que será ter “casa cheia”, pois é esse o número de pessoas que o auditório comporta.

Qual tem sido a resposta da indústria às iniciativas da APHO? Antecipa-se um reforço da adesão de casas comerciais ao congresso deste ano?
Ana Paula Carvalho. A indústria farmacêutica sabe que os higienistas orais são os profissionais que mais trabalham a prevenção na saúde oral e, por isso, tem apoiado muito a APHO na realização dos seus congressos e nos vários propósitos que visam a promoção e prevenção, objetivando sempre alcançar uma boa saúde oral/geral.
A cada ano temos vindo a ter novas casas co­merciais a querer participar no congresso e, de modo invariável, temos as firmas que se juntam a nós de “forma crónica” e com quem nós sempre contamos.
É também desta maneira que a divulgação dos produtos dentários pode ser feita de uma forma mais próxima dos higienistas orais, no sentido de potenciar o tratamento dos pacientes.

À margem do congresso, quais são as atuais prioridades da direção da APHO?
Fátima Duarte. A APHO é uma instituição em constante ebulição. O interesse em projetar os higienistas orais no topo das suas competências faz com que diariamente haja vontade para levar a todos os cantos o importante papel des­tes profissionais.
As prioridades passam por igualar os higienistas orais aos seus pares da área da Medicina Dentária e por continuar a sensibilizar outros profissionais da saúde para o papel do higienista oral na saúde oral/geral. Também temos em mente a expectativa da criação da ordem conjunta com os outros técnicos de diagnóstico e terapêutica, bem como o objetivo de continuar a trabalhar no perfil profissional europeu enquanto membro da federação europeia de higienistas orais.
Na sequência deste evento, a APHO pretende manter a formação contínua dos associados tocando os temas mais sensíveis da atualidade e/ou revendo as questões chave da nossa profissão.

Em 2017, está previsto um reforço dessa aposta na formação dos profissionais do setor?
Ana Paula Carvalho. A intenção da APHO vai no sentido de tornar possível a formação contínua dos associados ao longo de todo o ano. Desta forma, estão instituidos os dois eventos mais importantes: o congresso nacional e a reunião anual (ao abrigo do habitual congresso da SPEMD), e estão previstas outras formações e iniciativas (está a decorrer o projeto “Missão saúde oral” da Colgate) onde os higienistas são os intervenientes mais visados.
Que outros desafios enfrentam os hi­gienistas orais?
Fátima Duarte. O maior desafio dos higienistas orais é conseguirem ser profissionais competentes na execução das suas tarefas. O mercado está debilitado e as ofertas de traba­lho são reduzidas. Esta situação resulta muitas vezes na aceitação de trabalho em condições “menos ortodoxas” e serem coagidos a exercer as suas atividades em condições muitas vezes precárias.
O rácio profissional de saúde oral versus po­pulação está a ficar lotado (apesar do índice de doenças orais continuar a ser muito elevado) e com perspetivas de futuro que são pouco promissoras.

Em termos gerais, acha que o papel do higienista oral é hoje devidamente re­conhecido no contexto global da Medicina Dentária nacional?
Fátima Duarte. De um modo geral, assistimos nos últimos anos a um desenvolvimento positivo nesse sentido. Hoje em dia, muitos consultórios dentários já contam com pelo menos um higienista oral na sua equipa e muitos centros de saúde ou outras institui­ções comunitárias têm também higienistas orais nas suas equipas de saúde esco­lar e comunitária.
Uma parte crescente da população também já conhece estes profissionais. Pelo trabalho diferenciado que executam na promoção e prevenção das doenças orais, já existe sensibilidade das pessoas para visitarem exclusivamente estes profissionais de forma regular.

 

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