Nº87 MARÇO 2018

"O desenvolvimento da tecnologia entrou na Medicina Dentária de tal forma que já não há maneira de voltar atrás"

  • Stavros Pelekanos, médico dentista especializado em estética dentária
  • 07 de Mar, 2018

Stavros Pelekanos, médico dentista especializado em estética dentária

Como especialista em prostodontia e estética, pode dizer-nos qual é o ponto de evolução clínica que alcançámos para satisfazer o paciente que deseja um excelente resultado estético?
Estamos na era digital. O desenvolvimento da tecnologia entrou na Medicina Dentária de tal forma que já não há nenhuma maneira de voltar atrás. As câmaras intraorais, os scanners e as fresadoras de alta sofisticação fazem parte desta evolução clínica e nós, como médicos dentistas, temos que nos adaptar o mais rápido possível.

Quais são os pedidos mais comuns dos pacientes? Em termos gerais, considera as suas expectativas realistas? É difícil encontrar o equilíbrio entre o que pede o paciente e o que o profissional pode oferecer?
Existem dois tipos de pacientes na minha clínica e isso é um desafio silencioso. Pacientes com problemas funcionais, geralmente com dentes em falta, e pacientes com problemas estéticos, com ou sem dentes em falta. As demandas dos pacientes são variadas, mas eu diria que, como dentistas, podemos alcançar certa tranquilidade no nosso trabalho sempre que as nossas habilidades são maiores do que as expectativas dos nossos pacientes.
Eu costumo dizer que haverá sempre pacientes que não seremos capazes de tratar, e devemos aceitar este facto.

A estética tem um papel muito importante no marketing odontológico. Os pacientes estão expostos a centenas de mensagens que prometem um sorriso perfeito. Que postura deve assumir o profissional que quer vender seriedade e rigor no seu trabalho?
Isso é verdade. Mas temos que entender que a maneira de alcançar um sorriso agradável e saudável requer muito mais do que um bom anúncio. Exige conhecimento, pessoal treinado e, principalmente, dentistas habilidosos.
Os pacientes têm que entender que a odontologia orientada pelo cérebro é muito mais importante do que a propaganda mais bonita de uma máquina sofisticada num consultório dentário.

Há um número crescente de tratamentos minimamente invasivos e até reversíveis. Na sua opinião, essa revalorização é aplicável a todos os casos clínicos no contexto estético?
Claro que não. A simplicidade e os tratamentos minimamente invasivos são sempre a nossa prioridade na Medicina Dentária, mas isso nem sempre é possível. A extensão da invasão está na mão do clínico para ser decidido. Como eu ainda estou num ambiente universitário – na Universidade de Atenas (Grécia) –, estudos clínicos bem projetados e controlados são sempre necessários para avaliar novas técnicas.

Está sempre a favor da restauração à base de cerâmica?
Sim, penso que agora, com a evolução dos novos materiais, e especialmente do zircónio e dissilicato de lítio, podemos afirmar que a maior parte das nossas restaurações protéticas é livre de metal. Como prostodoncista, prefiro esses materiais na minha prática diária.

Há novos laminados de porcelana extremamente finos disponíveis no mercado. Existe um limite para este tipo de materiais? Quais são os requisitos que considera essenciais para os aplicar?
O uso de restaurações de folheado de laminado fino não é novo na Medicina Dentária, pois usamos cerâmica feldespática em matrizes refratárias ou folhas de platina desde há muitos anos. O que mudou é a técnica de fabricação com a evolução da tecnologia, o que nos permite experimentar também materiais mais novos. As indicações e os requisitos são quase iguais: uma subestrutura boa e saudável (de preferência esmalte) e um bom planeamento do tratamento.

Qual é a sua opinião sobre o uso de estruturas de alumina e zircónio? Como e quando recorre a estas estruturas?
Eu pertenço à geração de dentistas onde a Inceram Alumina foi desenvolvida e amplamente utilizada na prostodontia no final dos anos 90 e início de 2000. Devido às limitações deste material, não é mais usado nesta forma.
O zircónio é um material de escolha com muitas indicações nos últimos anos, como inlays, onlays, coroas ou FPD e, claro, na área dos implantes para pilares e supraestruturas.

A odontologia digital, com prótese feita e baseada em sistemas CAD-CAM, está a ganhar cada vez mais terreno. Na sua opinião, quais são os prós e os contras neste campo?
Julgo que esta questão já foi parcialmente abordada em respostas anteriores. Em todo o caso, o alvo em odontologia digital deve ser minimizar o erro humano dos dentistas e também pelo lado do técnico dentário.

 

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