Wagner Jossia Gimo e Winnie Wilson, médicos dentistas e voluntários da Mundo a Sorrir em Moçambique

O sonho de mudar o mundo com o poder da informação

  • 20 de Feb, 2018

Relato de Wagner Jossia Gimo

Sou médico dentista e formei-me há cinco anos. Durante este período académico participei de forma ativa no programa “um estudante, uma família”, criado e desenvolvido pela Faculdade de Ciências da Saúde com o objetivo de educar e promover a saúde oral, nutricional, ocular e geral nas comunidades com pouco poder financeiro da cidade de Nampula. Sempre tive uma grande afinidade com a parte clínica, mas durante este tempo pude perceber que a clínica em convivência com a parte social faria uma grande diferença na redução da prevalência de várias doenças. Foi desta forma que em mim despertou o interesse em trabalhar na área da saúde pública.

Em Moçambique, a medicina dentária tem um percurso curto e é uma área com vários desafios, onde também se nota que a maioria da população, em particular nas zonas suburbanas, tem muito pouco acesso a informação sobre a saúde oral. A cárie dentária e a periodontite são as doenças de maior prevalência no nosso país. Mas estas doenças podem ser prevenidas e não carecem de grandes custos para qualquer sociedade.

No início de 2017, tive a oportunidade de entrar para o voluntariado na organização Mundo A Sorrir e em maio do mesmo ano desloquei-me à província de Gaza no distrito de Bilene-Macia, para participar na primeira experiência nesta organização: um projeto intitulado “Saúde A Sorrir”, que du­rou um mês. Foram feitas palestras so­bre a cárie dentária, gengivite, técnicas de escovagem e hábito nutricional saudável.

O trabalho realizou-se em quatro escolas primárias, dois centros de acolhimento a crianças com necessidades especiais, um centro nutricional de mães com bebés e uma igreja, onde foram abrangidas cerca de 3.000 crianças que receberam escovas, pastas dentífricas e certificados de participação. Para além desta atividade, formaram-se cerca de 20 professores e alguns responsáveis pelas crianças nos centros de acolhimento sobre a matéria de doenças orais mais frequentes, as consequências da perda dentária e a importância de uma correta higiene oral.
Confesso que não foi fácil a pressão que tivemos e as dificuldades que passámos, mas porque a causa era maior, conseguimos ultrapassar os obstáculos. Tenho a certeza de que a informação ficou e alguma diferença fez no seio daquela sociedade.

Testemunho de Winnie Wilson

Tudo começou quando vi a página da Mundo A Sorrir no Facebook, com um projeto em Moçambique, concretamente na região da Macia. Enviei um e-mail demonstrando o meu interesse em ser voluntária e fui prontamente correspondida. A partir daí, fiz a entrevista, participei na formação e finalmente recebi a noticia de que seria voluntária da Mundo A Sorrir em Moçambique.

Foi um misto de emoções, quando recebi a notícia do voluntariado, de alegria e ao mesmo tempo de medo. De alegria porque além de ensinar através das atividades programadas, ia aprender bastante e ganhar mais experiência em trabalhar com crianças e pessoas da comunidade, e de medo porque não sabia se conseguiríamos dar resposta a todas as atividades programadas para o projeto.

O projeto “Saúde A Sorrir” em Moçambique, do qual fui voluntária, tinha duração de um mês. Para esse período programámos várias atividades, entre elas: rastreios a crianças de quatro escolas (Escola Primária de Muchabje, 1 de junho, 5 Bairro, 1 Bairro) e três centros de acolhimento (Pfuka u Famba, Centro das Irmãs Hospitaleiras e Centro da Igreja Baptista) palestras, formações de professores, distribuição de escovas, diplomas e encaminhamento das crianças rastreadas com problemas de saúde oral para a realização de tratamentos.

Com muito empenho e força de vontade conseguimos cumprir quase todas as atividades programadas para o projeto, excluindo o tratamento a crianças rastreadas que tinham problemas de saúde oral, por motivos além da nossa vontade.

Tivemos algumas dificuldades no tratamento das crianças, porque a vila da Macia tem apenas um hospital (que funciona de forma irregular no setor de estomatologia) e um técnico de estomatologia (que além de atender a população no hospital distrital da Macia tem que fazer palestras nas escolas e bairros). Perante este cenário, notamos a grande necessidade que a vila da Macia tem de projetos como este, por forma a reduzir o índice de doenças da cavidade oral com principal enfoque para a cárie dentária.

Porém, e apesar destas dificuldades, foi uma experiência muito boa e enriquecedora. Espero que a Mundo A Sorrir continue com o projeto em Moçambique e que juntos possamos construir sorrisos do tamanho do mundo!

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