Nº82 SETEMBRO 2017

Cerca de 660 novos médicos dentistas entraram no mercado de trabalho em 2016

  • De acordo com os dados da OMD, o excesso de médicos dentistas só não é maior devido à emigração.
  • 06 de Oct, 2017

O número de médicos dentistas continua a aumentar acima das necessidades do país. De acordo com o documento “Números da Or­dem”, elaborado anualmente pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) e que reúne os principais indicadores sobre os profissionais da área, no ano passado o número de inscritos na OMD aumentou para 10.688, mais 660 que em 2015.

A média de idades dos médicos dentistas a exercer em Portugal é de 38 anos, havendo 4.206 médicos dentistas com menos de 35 anos, e apenas 253 médicos dentistas com mais de 60 anos.

Os “Números da Ordem” mostram ainda que a emigração tem crescido de forma exponencial na Medicina Dentária. O número de médicos dentistas com inscrição suspensa na OMD au­mentou quase 19% no ano passado face a 2015. A emigração é o principal motivo para os médicos dentistas pedirem a suspensão da atividade em Portugal.

Desde 2007, ano em que eclodiu a crise do subprime nos Estados Unidos e que nos anos seguintes contagiou drasticamente a economia mundial, incluindo Portugal, o número de médicos dentistas com inscrição suspensa e anulada, portanto inativos, na OMD quase que duplicou, passando de 689 em 2007 para 1.300 no ano passado. Ou seja, atualmente 12% dos membros da OMD têm a sua inscrição suspensa, um número sem precedentes.

Ainda assim, sublinha Orlando Monteiro da Silva, bastonário da OMD, “se é verdade que a emigração atingiu valores nunca vistos, ela não tem sido suficiente para diminuir o número de médicos dentistas a exercer em Portugal. Das universidades continuam a sair anualmente centenas de profissionais sem qualquer perspetiva de trabalho estável e sem ter em conta as necessidades do país”. Um problema que, na opinião do bastonário, “carece de solução e que os ministérios da Educação e da Saúde não resolvem, apesar de devidamente alertados”.
O Reino Unido e a França são os principais países de destino dos médicos dentistas que emigram. Vale a pena sublinhar que o número de médicos dentistas inativos na OMD há mais de cinco anos, visto como um indicador de que dificilmente voltarão a exercer em Portugal, tem subido consecutivamente nos últimos anos.

O rácio de habitantes por médicos dentistas em Portugal já ultrapassa muito a média definida pela Organização Mundial de Saúde. Lezíria do Tejo e Alentejo Central são as regiões do país com menor saturação de médicos dentistas, enquanto as áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa e as regiões de Coimbra, Viseu Dão-Lafões e Terras de Trás-os- -Montes concentram o maior número de médicos dentistas.

Taxa de feminização
continua a subir

A taxa de feminização da profissão continua a subir e a percentagem de mulheres supera já os 59%, uma tendência que vai acentuar-se nos próximos anos, já que nas faculdades que le­cionam o Mestrado Integrado de Medicina Dentária a percentagem de alunos do sexo masculino é de apenas 32%. Atualmente, existem 3.200 alunos inscritos no referido mestrado que é lecionado em sete faculdades nacionais, sendo que quase 20% são alunos es­trangeiros, sobretudo oriundos de França, Espanha e Itália.

Orlando Monteiro da Silva explica que a Medicina Dentária em Portugal “é das mais evoluídas do mundo e tem tido um reconhecimento internacional crescente”. É esta a justificação para o aumento do número de alunos estrangeiros que optam por fazer a sua formação em território nacional para depois exercerem nos seus países de origem. “Esta é, sem dúvida, uma oportunidade a explorar pelas faculdades em Portugal, porque permite reduzir o número de alunos portugueses sem perda de receita. Seria uma forma de estas instituições, públicas e privadas, contribuírem para a minimização do problema flagrante que é o excesso de médicos dentistas”, conclui o bastonário da OMD.

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