Nº86 FEVEREIRO 2018

EDITORIAL: A luta continua

  • 20 de Feb, 2018

Fevereiro é o mês em que se assinala o Dia Mundial da Luta concra o Cancro. Trata-se de um combate que, cada vez mais, não deixa margem para tréguas aos agentes da saúde em geral, designadamente os profissionais da área da saúde oral, que desempenham um papel determinante na prevenção e deteção do cancro oral, com uma das taxas de mortalidade mais elevadas.

Desde que foi criado em 2014, o Programa de Intervenção Precoce do Cancro Oral (PIPCO) já permitiu a deteção de 129 casos de lesões malignas e de 168 lesões potencialmente malignas. No total, já beneficiaram do programa mais de 5.000 utentes, um número digno de registo.

De resto, a taxa de utilização dos cheques-biópsia tem vindo a subir desde o primeiro ano do programa e atingiu os 93,3%. No ano passado, e até ao final de dezembro, tinham sido utilizados 920 dos 986 cheques-biópsia emitidos.

O PIPCO veio, sem dúvida, preencher uma grave lacuna no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e tem permitido salvar vidas, tendo em consideração o elevado índice de mortalidade que está associado ao cancro oral. Esta patologia é tratável se for detetada precocemente, o que não acontecia até aqui, sobretudo em grupos de risco. Os fumadores do sexo masculino, com idade igual ou superior a 40 anos, são o principal grupo de risco, mas qualquer lesão na boca que dure mais de 15 dias deve ser vista com urgência pelo médico dentista e o médico de família pode emitir um cheque-diagnóstico para esse efeito.

O número de cheques-diagnóstico tem vindo a aumentar todos os anos, tendo passado de 2.402 em 2014 para 4.175 no ano passado. Mas apesar dos auspiciosos resultados, é essencial continuar a incrementar a sua taxa de utilização. Impõe-se a necessidade de explicar aos doentes a importância de usarem os seus cheques-diagnóstico e despistarem lesões que possam ter na cavidade oral. Neste contexto, a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) defende que os médicos de família devem redobrar as atenções para esta patologia e receber mais informação sobre a melhor forma de atribuir os cheques aos doentes.

Também as consultas semestrais assumem, para os dirigentes da classe, um papel essencial na deteção de lesões (malignas ou benignas) quer nas consultas de Medicina Dentária que têm vindo a aumentar nos cuidados de saúde primários, quer nos médicos dentistas convencionados através do cheque- -diagnóstico emitido pelos médicos de família.

No que respeita ao combate ao cancro, nos dias de hoje todos os esforços são poucos. O assunto exige, realmente, uma atenção redobrada e permanente por parte dos profissionais de saúde, mas também dos próprios pacientes.

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