No dia em que encerrávamos a edição de março (em papel) da MAXILLARIS, a organização da Expodental, a maior feira ibérica do setor dentário — e uma das mais concorridas à escala europeia —, que se realiza de dois em dois anos em Madrid, anunciava o súbito adiamento do certame espanhol, que tinha realização prevista para os dias 12 a 14 deste mês. Centenas de representantes da indústria dentária regional e internacional viram-se, assim, obrigados a reformular, de um momento para o outro, o seu calendário empresarial, com todas as implicações e transtornos que tal significa, e dezenas de milhares de profissionais dos quatro cantos do mundo ficaram privados de visitar, pelo menos para já, este importante salão internacional de equipamentos, produtos e serviços dentários, e consequentemente impedidos de conhecer as últimas novidades e inovações do setor.
Não foi a primeira “baixa” em matéria de eventos de grande porte provocada pelo COVID-19, mas veio confirmar que a epidemia (com largo potencial para, a quaquer momento, converter-se em pandemia) que o mundo enfrenta desde o final do ano passado começa a ter sérias consequências no normal funcionamento da “máquina” da globalização.
Quando a Expodental foi oficialmente suspendida no início deste mês e remetida pela respetiva organização para o próximo Verão (dias 2 a 4 de julho) —partindo do princípio que a conjuntura nessa altura já não oferecerá risco para a saúde pública —, eram já cerca de 100.000 os casos confirmados e mais de 3.000 os óbitos registados em todo o mundo. Em Portugal constatavam-se os primeiros casos de infeção e a Direção-Geral de Saúde (DGS) desdobrava-se em comunicados e recomendações à população para evitar a propagação do coronavírus.
De resto, a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) recomenda vivamente a orientação da DGS destinada a profissionais de saúde e aconselha os médicos dentistas a consultarem e acompanharem de perto os últimos desenvolvimentos sobre o COVID-19. Ou não fossem os procedimentos de prevenção, controlo e vigilância em empresas (neste contexto, leia-se consultórios, laboratórios e instalações da indústria dentária) fundamentais para atenuar o flagelo global, de consequências ainda imprevisíveis, que teve origem na província chinesa de Wuhan há escassos três meses e, desde então, já se alastrou aos quatro cantos do planeta.
Resta-nos esperar que a “visita” do vírus seja curta e que, tão breve quanto possível, a atividade do setor dentário (e a vida quotidiana em geral) regressem à normalidade, ainda que no rescaldo desta crise, muito provavelmente, nada será como dantes!